terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Aldeia Yawanawá abre suas portas para o mundo



"Uma tentativa de mostrar a cultura Yawanawá para o mundo". É assim que o cacique Biracy Yawanawá definiu o acordo selado entre a aldeia Yawa - uma das maiores agências turísticas da América Latina, que cria um novo roteiro de etnoturismo voltado principalmente para o mercado internacional. O principal atrativo são os costumes e as festividades da povo Yawa.

Victor Mattos

Etnoturismo é visto como alternativa para alcançar a sustentabilidade

"Uma tentativa de mostrar a cultura Yawanawá para o mundo". É assim que o cacique Biracy Yawanawá definiu o acordo selado entre a aldeia Yawa - uma das maiores agências turísticas da América Latina, que cria um novo roteiro de etnoturismo voltado principalmente para o mercado internacional. O principal atrativo são os costumes e as festividades da povo Yawa.

O processo de parceria contou com a intermediação de uma empresa local e leva a assinatura ecológica do biólogo Richard Rasmussem, famoso em todo o Brasil pelo quadro de televisão "Selvagem ao Extremo". A iniciativa veio por parte do cacique Biracy Yawanawá, que conheceu o biólogo Richard no ano de 2004 em uma de suas visitas a tribo, e desde então vem juntos movendo as peças para tornar essa ideia uma realidade.

A partir de março do ano que vem a aldeia Yawa já se prepara para receber vários grupos interessados no etnoturismo, vindo de todos os países. Na agenda da aldeia constam oito compromissos até o final do ano. Para isso a comunidade já prepara a construção de um alojamento com características tradicionais e com capacidade para receber pelo menos 30 visitantes de forma confortável.

O roteiro turístico vai ter a duração de 10 dias e 9 noites, sendo que serão cinco dias em convívio com a tribo Yawa. O roteiro ainda inclui passeio turístico em Rio Branco, visita ao Seringal Cachoeira, em Xapuri. Cada grupo vai ter 20 pessoas e entre as visitas haverá um intervalo de dois meses. A cada visita a aldeia irá receber dois grupos, um seguido do outro. Durante as visitas, a tribo pretende parar alguma de suas atividades para mostrar aos turistas rituais de sua cultura e tradições.

O cacique Biracy também relembrou a já famosa hospitalidade do povo Yawanawá e enfatizou a importância desse acordo no resgate cultural e da autoestima do seu povo. "Antes o jovem tinha vergonha de ser Yawa. Hoje, quando um turista vem nos visitar, nossos jovens enchem o coração de orgulho de ser indígena, querem mostrar nossa cultura, isso faz nosso jovem valorizar cada vez mais as próprias raízes." O empresário João Bosco Nunes agradeceu a figura do Secretário de Turismo, Esporte e Lazer, Cassiano Marques e do senador Tião Viana, que sempre apoiaram a iniciativa.

Termo de compromisso e respeito à cultura Yawá deverá ser assinado pelos turistas

Para garantir que o etnoturismo não venha a trazer prejuízos às tradições culturais do povo Yawa, cada turista que quiser realizar o roteiro deverá assinar um termo de conduta que ainda está sendo elaborado, como um acordo de compromisso e respeito à cultura dos indígenas. O que foi adiantado pelo cacique Biracy é que será expressamente proibido que o turista ingresse na aldeia com bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de droga, envolvimento afetivo com os aldeões, além de tentativas de relações comerciais paralelas, que não seja via comissão organizadora do passeio.

A parte comercial será realizada pela empresa Nascimento Turismo enquanto toda a logística e acompanhamento no Acre será prestada pela Maanaim Turismo Sustentável. O produto vai fazer parte de uma série de roteiros ecológicos assinados por Richard Rasmussen, e vai receber o selo de "Aventura Segura" da Abeta (Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura) o que deve dar mais visibilidade ao pacote. De acordo com o cacique os recursos provenientes do acordo serão usados em favor da comunidade Yawanawá.

Agencia de Noticias do Acre

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