quarta-feira, 5 de maio de 2010

Família atende pedido Dr. Matheus e deposita cinzas do médico no Juruá



A população de Cruzeiro do Sul de adeus ao médico Matheus Arnaldo do último sábado (01). O médico morreu no mês de março, mas antes pediu que seu corpo fosse cremado e parte das cinzas fossem depositadas no rio Juruá. A família atendendo o desejo do médico que se considerava cruzeirense, trouxe os restos mortais para Cruzeiro do Sul.


A população de Cruzeiro do Sul de adeus ao médico Matheus Arnaldo do último sábado (01). O médico morreu no mês de março, mas antes pediu que seu corpo fosse cremado e parte das cinzas fossem depositadas no rio Juruá. A família atendendo o desejo do médico que se considerava cruzeirense, trouxe os restos mortais para Cruzeiro do Sul.

José Matheus Arnaldo dos Santos nasceu no dia 22 de outubro de 1954, de família humilde formou-se médico pela Universidade Federal de Juiz de Fora – Minas Gerais. Depois de formado decidiu morar em Cruzeiro do Sul. Era Apaixonado pelo Acre. Um médico competente e atencioso com seus pacientes. Era adorado por todos, principalmente pelos idosos que não o trocavam por outro médico.

Doutor Matheus vinha sofrendo problemas cardíacos e no dia 31 de março, em São Paulo, à espera de um coração para o transplante, teve morte cerebral. Seus órgãos foram doados, seu corpo cremado e suas cinzas foram divididas em quatro urnas.

“Ele pediu que as cinzas dele fossem divididas em quatro partes. A primeira parte fosse jogada nas pedras e águas da Praia do Riacho em Guarapari, no Espírito Santo. Onde ele me beijou pela primeira vez e, que, quando as ondas viessem pequenas ou grandes seriam seus abraços nos acariciando, nos agasalhando com todo seu fervor. A segunda parte fosse jogada no Igarapé Preto, onde costumava se refestelar após uma gostosa e gelada cerveja e, quando olhássemos para as cinzas misturadas com a beleza e o frescor das águas pretas do igarapé, que correm lentas para o rio, lembrássemos de sua brandura, de seus sorrisos e abraços, de seu melhor, o amor.

A terceira parte no rio Juruá, onde por muitas vezes navegou por aquelas águas em busca de ribeirinhos, povos sedentos de carinho e atendimento médico, levando alento, remédios e consultas do corpo e da mente. E, quando víssemos suas cinzas misturadas as águas do rio lembrássemos que ele percorreu muitas vezes o caminho dessas águas buscando o amor e vivendo o amor, aprendendo mais do que ensinando, sendo um médico ‘TUDOLOGISTA’, com muito orgulho e, que o caminho da medicina é longo e árduo.

Por último, a quarta parte deverá ser jogada em dezembro (tempo natalino), nas águas mais imponentes, um verdadeiro reflexo de Deus na vida humana, as águas da Foz do Iguaçu – Paraná. E quando as cinzas se misturarem com a imponência, com a limpidez das águas devemos senti-lo na sua altivez, na sua irreverência, até mesmo arrogante, quando não suportava a falta de pudor, de honestidade, de justiça e de solidariedade e ainda não devemos esquecer-nos da limpidez, da transparência que cada um deve ter, no seu modo de viver. Que quando nos arriscamos a deixar nosso eu verdadeiro manifestar-se, nos tornamos vivos e inteiros aos nossos olhos e aos dos outros” revelou Lucinéa, a viúva do médico.

O médico deixou dois filhos, João Rodholfo e Matheusa, a esposa Lucinéa e a paixão pela medicina e pelo Acre. Mesmo doente Dr. Matheus pedia à esposa que levasse ele para morrer no estado que criou raízes e viveu seus últimos anos. “O mais bonito de tudo era que o corpo dele estava enfermo em São Paulo, mas o coração dele enfraquecido pela enfermidade transbordava amor pelos irmãos acrianos.

Não deixava de proclamar a necessidade de está no Acre. ‘Leva-me para morrer no Acre, por favor, Lucinéa! Lá é o meu lugar! Fui amado e amei! Tive a grande oportunidade de repartir todo este imenso potencial de bem armazenado em meu coração. Foram tantas criancinhas e jovens, tantos velhinhos esperando um carinho e dando um carinho. Tantos doentes sem amigos e que se tornaram meus amigos. Eu preciso deles, Lucinéa! ’” – relatou a mulher.

“Para nós foi à perda de um grande amigo, mas fundamentalmente, a perda de um grande profissional, uma perda irreparável, insubstituível para a medicina no Acre” - disse o médico Marcos Lima, diretor do Hoespital do Juruá e amigo da família
Kattiúcia Silveira

3 comentários:

Valéria disse...

Um profissional com alta capacidade.. O melhor médico que fui. Atencioso, íntegro, humano e paciente. Isso era Dr. MAtheus..
Grande homem..Fique com Deus..

Anônimo disse...

Obrigada pelo carinho de todos os irmãos cruzeirenses. Que Deus os abençoe fartamente e saibam que a alma do Dr. Matheus está paz e feliz da vida pelo carinho recebido.
Beijoquiiitas de agradecimentos,
Lucinéa Wertz, João Rodholfo e Matheusa.

LUCINÉA WERTZ WERTZ disse...

Obrigada pelo carinho de todos os irmãos cruzeirenses. Que Deus os abençoe fartamente e saibam que a alma do Dr. Matheus está paz e feliz da vida pelo carinho recebido.
Beijoquiiitas de agradecimentos,
Lucinéa Wertz, João Rodholfo e Matheusa.