segunda-feira, 14 de junho de 2010

Apreensão de madeira pelo IBAMA tira sonho de moradia para famílias carentes de Rodrigues Alves


Em uma fiscalização de rotina desenvolvida durante a última semana, agentes do IBAMA efetuaram duas apreensões de madeira no município de Rodrigues Alves que deixaram a população do município revoltada com o rigor do órgão de proteção ambiental. O motivo da revolta é que a madeira apreendida seria utilizada para construção de casas para duas famílias que vivem em situação de pobreza. Uma delas mora em local de risco e a outra está morando de favor, dividida em casas de parentes e amigos.


Em uma fiscalização de rotina desenvolvida durante a última semana, agentes do IBAMA efetuaram duas apreensões de madeira no município de Rodrigues Alves que deixaram a população do município revoltada com o rigor do órgão de proteção ambiental. O motivo da revolta é que a madeira apreendida seria utilizada para construção de casas para duas famílias que vivem em situação de pobreza. Uma delas mora em local de risco e a outra está morando de favor, dividida em casas de parentes e amigos.

O trabalhador braçal João Batista Silva de Menezes estava com parte da madeira necessária para a construção de uma nova casa quando foi surpreendido pelos agentes do IBAMA, na última quarta-feira, 09, que apreenderam as 21 dúzias de tábuas que seriam empregadas na obra. Ele mesmo havia retirado a madeira e não se preocupou com as devidas licenças para a serragem e transporte de produto florestal.

João Batista afirma que foi a grande necessidade de dá aos três filhos e a esposa uma moradia digna que fez com que ele não se preocupasse com as penalidades da lei e fosse à floresta para retirar a madeira. A casa onde a família mora está caindo aos pedaços. Devido à ação do tempo, as paredes, o assoalho e outras partes estão destruídos. A situação é tão desconfortável para a família que quem está de fora pode ver quase tudo do lado de dentro pelos buracos que se formaram na madeira.

“Além de estarmos enfrentando sol e chuva, não podemos sair, pois quem quiser levar nossas coisas não tem nenhuma dificuldade. Além disso, moramos embaixo de um barranco que pode desabar” – alegou Batista.

Foi com a ajuda de muitas pessoas que o desempregado conseguiu pagar as despesas para a serragem das tábuas. Amigos forneceram o combustível, outros pagaram as diárias para um ajudante auxiliar João nos serviços.

Da mesma forma, fez a viúva Maria José Ferreira da Silva, 40, que teve toda madeira de uma casa que pretendia construir, apreendida na fiscalização. Os servidores do órgão ambiental levaram de dona Maria José, que também não apresentou as licenças, os barrotes, 6 dúzias de tábuas de assoalho, 25 dúzias de tábuas de parede, as peças quadradas e o sonho de dá uma moradia para os 9 filhos que hoje moram de favores em casas de parentes e amigos. Como são muitas crianças, a desempregada dividiu a família e parte fica hospedada na casa duas de suas irmãs e o restante mora com uma amiga.

A esperança de reunir os filhos em um mesmo lar estava bem perto de se tornar realidade. Dona Maria José já havia, com muito esforço, trabalhando como diarista em todo serviço que apareceu, comprado um terreno no valor de R$ 1.000,00 e estava limpando a área de terra para o início da obra que seria construída com a ajuda de voluntários, quando foi surpreendida pelos fiscais do IBAMA.

“Agora estou sem saber o que fazer da vida. Depois que meu marido morreu tudo que consegui foi para comprar esse terreno e tirar essa madeira. Perdi tudo que tinha e foi por água abaixo o sonho de morar junto com meus filhos” – lamentou a mulher ao enxugar as lágrimas que escorriam pelo rosto.

Nenhum comentário: