domingo, 8 de agosto de 2010

A Indústria do Lixo



O Brasil produz bilhões de garrafas PET por ano. Só em 2009 foram 11 bilhões de
unidades. Mais da metade desse total é jogado na natureza onde leva de 400 a 800 anos
para se degradar, dependendo das condições do local.

O Brasil produz bilhões de garrafas PET por ano. Só em 2009 foram 11 bilhões de
unidades. Mais da metade desse total é jogado na natureza onde leva de 400 a 800 anos
para se degradar, dependendo das condições do local.

Em 1996, o acúmulo desse material provocou um desastre de grandes proporções. A
enchente que matou 13 pessoas em São Paulo, 9 delas ainda crianças foi provocado por
centenas de milhares de garrafas Pet entaladas sob a ponte Ayrton Sena, o que provocou o represamento e o transbordamento de uma lagoa de estabilização desativada.
Isso mostra a gravidade do problema da destinação do lixo doméstico.
O que fazer com esses resíduos é um questionamento ainda sem uma resposta
adequada, que preocupa as autoridades e a população.

Em alguns locais iniciativas praticamente isoladas vem apresentado soluções que ainda
carecem de auxílio do Estado. Exemplo disso é a fábrica de vassouras de garrafas Pet
que funciona no bairro da Sobral.

Fundada há 2 anos por Francisco Nilo Viana, a pequena indústria retira das ruas de Rio Branco cerca de 60 mil garrafas Pet por mês. A partir de sucata industrial, Nilo Viana idealizou as 4 máquinas com as quais faz vassouras e cordas de varal. A produção que caiu no gosto popular ganhou o incentivo dos empresários do setor varejista.

Atualmente as vassouras ecológicamente corretas estão disponíveis nos supermercados
da capital e em mercearias de Capixaba, Brasiléia e Epitaciolândia, e a fábrica de
fundo de quintal já conta com 5 empregados com carteira assinada e mantém outros
15 empregos indiretos. Nessa última categoria estão os catadores que recebem por
produção aproximadamente R$ 500 por mês.

“Eu completei 18 anos em 2010 e vim trabalhar aqui. Tenho carteira assinada e todos
os direitos garantidos, um outro rapaz que trabalha com a gente está de férias”, garante Lucivaldo da Costa.

São necessários 600 metros de fio, o equivalente a 10 garrafas Pet, para fazer uma
vassoura, que é vendida ao preço de R$ 4, com a promessa de durar seis meses.
Mas nem tudo são flores. A fábrica está instalada de maneira ainda precária no quintal da casa do proprietário.
No dias de chuva, o chão de terra batida se transforma em lama e a ausência de paredes, associado ao telhado que necessita de reparos impedem a permanência dos trabalhadores no local, o que reduz a produção em 50%. Nilo também não conseguiu regularizar o terreno para poder obter financiamento para melhorar o espaço e ampliar a produção, o que inclui a contratação de mais empregados.

As dificuldades levaram-no a procurar o apoio da deputada federal Perpétua Almeida,
que atendeu o convite ontem à tarde.

“Vou marcar imediatamente uma conversa com o pessoal responsável pela
regularização fundiária para resolvermos o problema do terreno. O poder público
precisa entender que tem que apoiar esse tipo de iniciativa. Ele está gerando emprego
e renda com um empreendimento ecológicamente correto, usando material não
degradável para transformar a vida das pessoas. Vou estudar junto com a prefeitura
e com o governo do estado a possibilidade de destinar uma emenda para apoiar
empreendimentos alternativos como este.

O poder público pode assinar convênio para
que pessoas como Nilo Viana multipliquem esse conhecimento, como na escolinha da
APAE por exemplo”, exultou a deputada Perpétua Almeida que pretende ainda levar o
superintendente do Banco da Amazônia para conhecer o projeto.

“A partir da regularização e de um financiamento para a produção o próprio poder
público pode se transformar em cliente e estimular escolas e instituições a comprarem
a produção. Eu boto muita fé nessa questão do empreendedorismo individual”,

complementou a parlamentar comunista.
Nilo Viana que usa um adesivo na caminhonete que utiliza para o transporte do
material alertando para a necessidade de cuidar da natureza fez questão que a deputada experimentasse as vassouras para poder comprovar a eficácia do produto.

“Chamei a deputada Perpétua para conhecer a fábrica porque sabia que ela visse
ajudaria, mas ela estava em uma reunião de campanha e respondeu que não queria
misturar as coisas. Mas mandou me avisar que viria numa outra ocasião, como
deputada. Eu achei que nem ia acontecer, mas ela veio mesmo e eu pude contar para ela
que o meu sonho é um dia passar na rua e ver os garis e margaridas limpando a cidade
com as minhas vassouras”, confessa Viana.

Entenda o Pet

Polite reftalato de etileno (PET), é um polímero termoplástico, derivado do petróleo
desenvolvido em 1941.

As garrafas Pet, começaram a ser fabricadas na década de 1970.

O Pet prejudica a decomposição inclusive de outros materiais porque impermeabiliza
certas camadas de lixo, impedindo a circulação de gases e líquidos.

É muito difícil sua degradação em aterros sanitários

Vantagens da Reciclagem

Redução do volume de lixo nos aterros sanitários e melhoria nos processos de
decomposição de matérias orgânicas nos mesmos.

Economia de petróleo.

Economia de energia na produção de novo plástico.

Geração de renda e empregos.

Redução dos preços para produtos que têm como base materiais reciclados.

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