segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ACESSO A CONSTRUÇÃO DA PONTE DO JURUÁ BLOQUEADO POR MORADORES DA LAGOA

A manifestação começou na madrugada dessa segunda-feira (20). Os moradores revoltados com a demora no processo indenizatório da comunidade pelo Governo do Estado decidiram fechar o acesso a construção da ponte sobre o rio Juruá.
A manifestação começou na madrugada dessa segunda-feira (20). Os moradores revoltados com a demora no processo indenizatório da comunidade pelo Governo do Estado decidiram fechar o acesso a construção da ponte sobre o rio Juruá.

Durante toda a manhã, a comunidade do bairro da Lagoa, que vive no entorno da construção da ponte sobre o Rio Juruá, em protesto fechou a via de acesso que a empresa responsável pela construção faz uso. O motivo principal segundo os moradores é a demora do governo em retirar e indenizar as famílias da localidade.
O aposentado Antônio Gomes, 98, já não suporta mais tanta burocracia e prorrogação de prazos para a saída dele e da família do bairro. “Quero apenas a indenização em dinheiro correspondente ao valor da minha casa. Não agüento mais viver aqui com o som ensurdecedor das máquinas trabalhando. Sem falar no perigo de está perto da construção. Já tenho idade avançada e preciso de mais tranqüilidade para minha vida.”, relatou o ancião.

Outros problemas freqüentes na comunidade segundo a dona de casa Maria Matos, 55, são as condições da via de acesso, aliada a alta velocidade dos caminhões, causando perigo principalmente para as crianças. “Aqui vivemos de janelas fechadas devido a poeira e com cuidados redobrados com nossos filhos”, declarou.
O protesto que reuniu dezenas de moradores permaneceu até por volta do meio dia, quando a comunidade conversou com a articuladora política do governo do estado, Janete Ponci, que informou que serão feitos reparos na via de acesso, que a partir de agora está proibida a passagem dos veículos de grande porte. “Desde 2008, o estado vem conversando com a comunidade sobre o processo de desapropriação da área. Estamos fazendo tudo dentro do possível para que eles sejam ressarcidos. O governo está construindo mais um conjunto habitacional destinado a comunidade”.

Até agora cerca de 100 famílias já saíram e foram relocadas para o Conjunto Novo Miritizal, localizadas na Rodovia AC 405, distante cerca de nove quilômetros do centro do município de Cruzeiro do Sul. As casas foram entregues pelo Governo do Estado, por meio de um programa habitacional de interesse social. Devido à distância, não há linha de ônibus regular, de modo que as famílias contam apenas com serviço de transporte alternativo. Frente as dificuldades, um grande número de moradores já abandonou as residências.

Circunstância que faz com que os demais moradores recusem as futuras habitações e que prefiram a indenização em dinheiro. José de Paula da Silva, 62, declarou que eles não foram consultados quanto às alternativas indenizatórias para a comunidade. “O governo em nenhum momento procurou saber o que preferíamos Queremos escolher onde vamos morar. Não queremos ir para um conjunto de habitação, sem ter condição de vida. Aqui ainda tem mais de 300 famílias que só querem viver com dignidade”, finalizou o aposentado.

Daiana Maia

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