sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vale do Juruá cria sub-regional da Associação Brasileira de Alzheimer

Em ato solene no auditório do Ministério Público, em Cruzeiro do Sul foi criada e instalada na quinta-feira, 23 de setembro, a sub-regional do Juruá da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz-AC).
A Abraz é uma sociedade civil e sem fins lucrativos, que tem como missão ser o ponto de referência das pessoas envolvidas com a doença de Alzheimer (dA) e outras demências, reunindo uma comunidade de familiares, cuidadores e profissionais, oferecendo-lhes meios de atualização, favorecendo intercâmbio de experiências e apoiando ações voltadas ao bem estar do portador, da família, do cuidador e do profissional. No Acre, a Abraz faz parte da Central de Articulação das Entidades de Saúde (CADES) que presta assessoria a 26 entidades ligadas à área de saúde. Dezenas de representantes da sociedade civil prestigiaram o evento e assinaram a ata de fundadores.

Um fato inédito, como destacou a presidente da Abraz-AC, Maria Leitão Bastos, foi a presença no evento dos presidentes dos Conselhos Nacional, Estadual e Municipal dos direitos da Pessoa Idosa, respectivamente, José Luis Telles, Ismael Cunha Neto e Maria das Vitórias. Maria Leitão preside a ABRAZ-AC desde sua fundação em 2003e foi a principal incentivadora para a abertura da sub-regional do Juruá que deverá atuar em todos os municípios do Vale do Juruá, inclusive os dos vales do Tarauacá e Envira. Segundo informou o próximo passo é abrir uma sub-regional no Alto Acre, na qual serão inseridos também bolivianos e peruanos, irmãos fronteiriços.

Ela demonstrou muita satisfação em ver que a Abraz está se expandindo no Estado: “Ser útil nos dá satisfação e a alegria é de ter conquistado novos voluntários. Nós cuidamos principalmente de quem cuida. Essa doença é o mal do século. As pessoas estão vivendo mais e os números de idosos afetados pela doença não param de subir. Graças a Deus podemos ajudar essas pessoas, cuja terapia principal é o amor e melhorar suas vidas”.

Maria Leitão informa que existem cerca de 40 mil idosos no Acre. Quanto ao número de portadores de dA, segundo ela não há levantamento, pois a entidade só conhece as pessoas que a procuram mas, se for calculado pelo percentual estabelecido pela Organização Mundial de Saúde o Acre pode ter três mil idosos atingidos por algum tipo de demência, sendo a mais comum delas a dA.

Presidente eleita foi professora durante 50 anos

A professora aposentada Regina Maia foi escolhida para presidir a entidade recém-fundada. Ela tem uma extensa biografia de trabalho em Cruzeiro do Sul tendo sido professora por 50 anos, passando por diversos cargos inerentes ao magistério destacando-se como conselheira de jovens. “Aceitei a indicação e estou satisfeita. Gosto de ser útil e não é minha idade que vai me fazer parar. Quero ter disponibilidade e saúde e encontrar o apoio e a cooperação de todos, porque uma andorinha só não faz verão. Com certeza esse grupo vai surpreender. Vamos fazer um bom trabalho” - disse.Os demais membros da diretoria são: vice-presidente - Samira Daniel da Silva; secretária - Cleide Ferreira dos Santos Messias; tesoureira - Vania Moria Lobão Viga; diretor-científico - Reginaldo Brandão; diretora jurídica - Edilene da Silva Corrêa; diretor de comunicação, Flaviano Schneider. Conselho Fiscal: Rosinei Alves Pequeno, Maria das Vitórias S. Medeiros e Angela Maria Valente de Figueiredo. Grupo de Apoio: Alcione Damila Borges e Lulu Amorim Barboza.

Saúde pública e Alzheimer
Segundo o médico José Luiz Telles, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, há uma constatação de que principalmente os profissionais de saúde que trabalham nas unidades básicas – que tem os primeiros contatos com pessoas idosas ou com seus familiares - tem muito pouco conhecimento da doença de Alzheimer e suas fases. Para ele, já que não existe um tratamento que cure e nem medidas preventivas que garantam imunidade à doença, a melhor medida de saúde pública é o diagnóstico precoce que deve e pode ser feito numa unidade básica de saúde desde que os profissionais tenham conhecimento e saibam identificar possíveis portadores na conversa com pacientes e seus familiares.

Segundo José Luiz, principalmente os países em desenvolvimento tiveram sua população envelhecida muito rapidamente. Como a doença de Alzheimer tem maior manifestação acima dos 80 anos, que é a faixa de idade que mais cresce no planeta, inclusive no Brasil, o cenário é que haja um rápido crescimento também do número de portadores de dA. “O nosso sistema não está preparado seja do ponto de vista do cuidado à saúde, da qualificação dos profissionais e também do apoio comunitário e familiar, mas digo que a sociedade como um todo não está preparada para lidar com a DAE é urgente que fique. Em todos os níveis de organização, é preciso estabelecer orientações e diretrizes para lidar o melhor possível com o portador de dA e familiares.

Para o médico, os cuidadores se sentem muito solitários e é preciso criar espaços comunitários como centros de convivência para portadores de dA de modo que elas possam ocupar o seu dia a dia em exercícios mentais, terapias ocupacionais que tem o efeito, juntamente com medicamentos, de retardar o desenvolvimento da doença e também um apoio adicional importante para os cuidadores, que ficam isolados dentro de casa cuidando de seus familiares.

Ele considerou de fundamental importância a organização da Abraz no vale do Juruá, pois seus voluntários vão identificar portadores, organizar grupos familiares e nesses grupos será possível orientar sobre os melhores cuidados e principalmente os cuidadores terão espaço para expressar seus sentimentos . “Cuidar de uma pessoa com doença de Alzheimer é muito difícil; gera medo, gera dor, ansiedade, raiva. Portanto esses espaços coletivos são pontos de apoio, onde podem aflorar esses sentimentos e essas pessoas não se sintam sozinhas. Vejo com muita felicidade , a organização da sub-regional da Abraz no Juruá”.

A doença de Alzheimer, mais conhecida popularmente como demência ou 'caduquice', é um distúrbio neuro-degenerativo que provoca o declínio de algumas funções intelectuais, reduz a capacidade de trabalho e de interação social, altera o comportamento e a personalidade do paciente. O surgimento da doença é um impacto para a família do paciente, pois muda completamente o ritmo da vida familiar, já que é necessária uma assistência constante ao portador, surgindo assim uma dependência que só tende a se aprofundar com o passar do tempo. Só resta cuidar do paciente, com muito amor e carinho, contribuindo assim para retardar a degeneração, prolongando e tornando mais confortável o tempo de vida que resta ao doente.
Até o ano de 2050, uma em cada 85 pessoas do planeta poderá estar sofrendo da doença de Alzheimer, alcançando a cifra de 100 milhões de pessoas.

Sinais indicadores

Há vários sinais indicadores de que a pessoa está apresentando um possível sintoma de demência, podendo ser doença de Alzheimer. Esta pessoa deve ser encaminhada a um médico ou serviço de saúde para avaliação, diagnóstico e tratamento. A DA é neurodegenerativa, progressiva e irreversível, para a qual não existe prevenção e poucas alternativas de tratamento farmacológico. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento e cuidado, mais pode ser feito pelo portador, já sendo possível reduzir significativamente a progressão da doença, na maioria dos casos.

Os sinais, segundo publicação da ABRAZ são os seguintes:

Perda de memória que afeta as relações pessoais (esquecimento de nomes, telefones, compromissos);
Dificuldades em executar tarefas domésticas simples como acender e apagar o fogo do fogão;
Problema com vocabulário (esquecimento de palavras comuns ou substituição por outras totalmente erradas);
Desorientação de tempo e espaço (dificuldade para localizar-se dentro de casa ou localizar a casa na rua onde vive);
Incapacidade para julgar situações (diminuição ou perda de senso crítico, levando a pessoa a ter comportamentos não usuais ou estranhos frente a outras pessoas);
Problemas com raciocínio abstrato (por exemplo, dificuldade em entender e controlar o próprio dinheiro ou cartão bancário);
Colocar objetos em lugares errados (por exemplo, a pessoa guarda o relógio no açucareiro, ou um ferro elétrico na geladeira);
Mudanças de humor ou comportamento (calma seguida de choro ou sinais de raiva, sem nenhuma razão aparente);
Mudanças na personalidade (por exemplo, a pessoa demonstra medo, complexo de perseguição, desconfiança e/ou confusão);
Perda de iniciativa (a pessoa torna-se muito passiva, necessitando de estímulos para voltar a se envolver em alguma atividade).
* Diretor de Comunicação da Abraz-AC

Escrito por Flaviano Schneider*
Fotos Elson Costa

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