quarta-feira, 10 de novembro de 2010

João Garapa desabafa: “ Nunca vi a Justiça doar nenhum avião da Gol ou da TAM que estavam transportando drogas. Na realidade o traficante não é o dono



O empresário João Célio Gonçalves Gaspar, popular João Garapa, estava em sua empresa, no dia 28 de Janeiro, quando foi surpreendido com a notícia de que a Polícia Federal havia apreendido droga na balsa de sua propriedade que estava baixando para Manaus. A droga transportada estava escondida em um tanque do rebocador e foi levada para bordo pelo comandante da embarcação, funcionário da empresa há mais de nove anos.


O empresário João Célio Gonçalves Gaspar, popular João Garapa, estava em sua empresa, no dia 28 de Janeiro, quando foi surpreendido com a notícia de que a Polícia Federal havia apreendido droga na balsa de sua propriedade que estava baixando para Manaus. A droga transportada estava escondida em um tanque do rebocador e foi levada para bordo pelo comandante da embarcação, funcionário da empresa há mais de nove anos.

A droga foi localizada através de investigação da Polícia Federal, que monitorou os passos dos traficantes, inclusive a entrada da droga a bordo. Depois que a balsa deixou o porto de Cruzeiro do Sul os agentes a interceptaram em Ipixuna e prenderam os tripulantes e o entorpecente, trazendo-os de volta à Cruzeiro do Sul, onde foi feita uma revista em todos os porões e nos mais de 7 mil sacas de farinha e botijões que estavam sendo transportadas para Manaus. Nada mais foi encontrado.

Dois tripulantes da embarcação e os donos da droga foram identificados, presos e conduzidos à penitenciária. A balsa e o rebocador foram entregues ao proprietário João Garapa, no mês de fevereiro, na condição de fiel depositário, enquanto o processo transcorria na Justiça do Amazonas. Para surpresa de João Garapa o juiz amazonense responsável pelo processo mandou confiscar a balsa e o rebocador que foram doados ao Exército no mês de Agosto.

“ Não posso entender a decisão do juiz do Amazonas que confiscou a embarcação e a balsa fazendo uma doação para o Exército. A Polícia Federal não encontrou, nem vai encontrar nenhum indício de meu envolvimento com tráfico de drogas porque vivo de muito trabalho. Os quatro traficantes foram identificados e presos, então, não há razão para a decisão do juiz que já está sendo contestada pelo advogado da nossa empresa”, disse o empresário.

João Garapa protesta contra a decisão enfatizando que sua empresa gera mais de 50 empregos, paga impostos e não pode ter um prejuízo deste montante, principalmente por ter ficado comprovado que não há nenhum envolvimento dele com o tráfico de drogas.

O empresário destaca que recorreu da sentença do juiz amazonense, considerando uma decisão precipitada prejudicial para sua empresa que adquiriu a balsa e o rebocador através de financiamento, quando ainda era sócio do empresário Raimundo Oliveira, protestando que a empresa não pode ser penalizada por uma ação isolada do tráfico de drogas existente na região que sempre utiliza os meios fluvial e aéreo para o transporte dos entorpecentes.

“Imagine se a Justiça for doar para o Exército todos os aviões onde a Polícia Federal encontra drogas. Por exemplo, sabemos pelo noticiário que muitos traficantes são presos com drogas transportadas em aviões. Estava recentemente assistindo o Jornal Nacional e a policia pegou um homem com 30 quilos de cocaína no avião e não tem nenhuma aeronave da Gol ou da TAM confiscada.

Recorremos da decisão do juiz e queremos de volta a balsa e o rebocador da nossa empresa que sempre foi utilizada para trazer mercadorias para abastecer nossa população. Essa foi a finalidade que compramos essa balsa e o rebocador. Não posso abrir mão deste importante bem para a sobrevivência da minha empresa que garante tantos empregos a pais de família de nossa cidade”, disse.

João Garapa ressalta que aguarda decisão da Justiça, mas tem certeza de que vai conseguir restituir os bens da empresa, condição para sobrevivência e transporte das mercadorias que abastecem a população.

“ A balsa dava três viagem por ano para Manaus transportando mercadorias para abastecer nossa população, ficando um protesto contra a decisão equivocada que confiscou os bens. Nunca soube de nenhum avião da Gol ou da TAM doado para o Exército, principalmente quando as investigações da própria Polícia Federal me isentaram de qualquer culpa. Felizmente, além desse protesto, posso mostrar a população que não tenho nenhum envolvimento com o tráfico de drogas. As pessoas que me conhecem sabe que sou um homem trabalhador”, destacou.

O empresário João Garapa tem 53 anos de idade, trabalha desde garoto, foi vendedor de garapa, de onde herdou o apelido que o acompanha por toda vida, com muita honra, com friza, motorista de praça por 12 anos, balconista e iniciou no ramo comercial com um quarto no mercado público. Investiu suas economias no ramo de supermercado e venda de combustíveis conseguindo sucesso das empresas que garantem mais de 50 empregos diretos. Ele foi um dos sobreviventes da queda do avião da Rico e se emociona toda vez que fala do assunto.

“Sou um cidadão de bem, trabalho desde quando era garoto e o sucesso de minhas empresas são fruto de muito trabalho ao longo desta caminhada. Fico emocionado quando me lembro do apoio que recebi dos meus amigos e desta população que se uniram em oração pela minha recuperação quando sofri aquele acidente aéreo no avião. Então, mesmo sofrendo estas perseguições, me sinto feliz de estar junto com minha família, desenvolvendo um trabalho em benefício da população cruzeirense, a quem sou muito grato por todas as orações que fizeram pela minha recuperação.

No meu caso, é preciso destacar que não tenho nenhum envolvimento com coisas ilícitas, principalmente drogas. A investigação da Polícia Federal é meu atestado de idoneidade. Tenho residência fixa e local de trabalho e todos os investimentos da nossa empresa são em Cruzeiro do Sul.

Fico triste porque vivemos em um país em que a lei não é para todos. Alegaram que o rebocador estava trancado na balsa, mas se uma balsa não tiver rebocador, ela não anda. Tanto o rebocador quanto a balsa estão documentados, o documento e tão verdadeiro que o Ministério Público, em Manaus, reconheceu. Nunca vi a Justiça doar nenhum avião da Gol ou da TAM que estavam transportando drogas, porque na realidade o traficante não é o dono do avião”, finalizou.

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