sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Gerência de Endemias acelera distribuição de mosquiteiros impregnados em Cruzeiro do Sul



A distribuição de mosquiteiros (para rede) e cortinados (para camas) impregnados continua de forma acelerada na zona rural de Cruzeiro do Sul. A firma contratada pelo Governo do Estado para a distribuição está utilizando os serviços de 34 agentes, cada um deles com meta de distribuição de 40 unidades por dia, o que dá para alcançar oito mil por semana, dependendo das condições de tempo, pois quando chove a distribuição fica prejudicada.

Escrito por Flaviano Schneider

Índice de malária diminuiu nos locais onde foi feita a primeira distribuição em 2007

A distribuição de mosquiteiros (para rede) e cortinados (para camas) impregnados continua de forma acelerada na zona rural de Cruzeiro do Sul. A firma contratada pelo Governo do Estado para a distribuição está utilizando os serviços de 34 agentes, cada um deles com meta de distribuição de 40 unidades por dia, o que dá para alcançar oito mil por semana, dependendo das condições de tempo, pois quando chove a distribuição fica prejudicada.

O monitoramento da distribuição vem sendo feito pela Gerência de Endemias. Os mosquiteiros são provenientes da Ásia e, além de impedir a entrada, mata o anofelino, que é o mosquito transmissor da malária.

A gerente de Endemias, Simone Daniel da Silva, informa que a distribuição começou em dezembro de 2009 e foi intensificada a partir do dia 23, após a chegada de um lote de 26 mil mosquiteiros e cortinados. Segundo disse, a zona rural do município será priorizada, devendo atingir 86 comunidades rurais. Nesta semana estão sendo distribuídos cortinados no Projeto Santa Luzia, ao longo da BR-364, na Vila Alagoinha, nos ramais 11, 12 e 13, Gleba 1, ramal da Lua Clara, ramal do James, ramal 8, ramal Retumba, fundiária do ramal 12 de Setembro. Ontem foi distribuído no ramal 02 e em seguida nas proximidades do ramal 05 e no estirão do ramal 03. Hoje uma equipe iniciou a distribuição na região da Boca da Alemanha. Também há uma equipe fazendo a distribuição ao longo do rio Juruá, começando pela comunidade Olivença, até os limites de Cruzeiro do Sul.

Os agentes chegam às casas e deixam os mosquiteiros e/ou cortinados para todos da família. Antes explicam os procedimentos necessários para garantir a durabilidade dos mosquiteiros. São cuidados simples: lavagem apenas de três em três meses e apenas com água e sabão sem esfregar e sem expor ao sol. Nas casas beneficiadas também são distribuídos calendários onde são destacadas as datas de lavagem, além de conselhos práticos de como evitar o contato com o anofelino, que é o mosquito transmissor da malária.

A senhora Lindomar Vasconcelos, moradora na Estrada do IEVAL, recebeu hoje os cortinados. Ela contou que o marido já pegou malária oito vezes e manifestou a esperança de que agora a malária vai se afastar de sua casa. A jovem estudante Júlia Gabrieli Maciel - também moradora na localidade Boca da Alemanha quase perdeu a conta, mas já pegou malária "umas dez vezes" - segundo disse. Em sua casa moram três pessoas e todas já contraíram a doença. Para ela, a chegada dos cortinados impregnados é muito importante. "Espero não perder mais aulas agora", disse.

Maria Solange Lima da Fonseca é diretora da Escola Santa Luzia, que fica localizada na localidade Canela Fina. Ela está com malária. Ficou muito animada com a chegada dos cortinados em sua região. "Chegaram na hora certa", disse. Ela contou que a malária causa muita evasão escolar e faz as pessoas perderem o trabalho.

Maria da Conceição Lima também mora em Canela Fina. Sua família é composta por seis pessoas e todas já pegaram malária. Ela está acreditando nos cortinados. Tendo recebido o cortinado na quarta-feira, já na quinta-feira pode observar vários anofelinos mortos perto dos cortinados. "Parece que com um dia de uso os mosquitos já diminuíram", disse.

Primeira distribuição diminuiu a malária

Em dezembro de 2007, a Secretaria de Saúde do Estado distribuiu sete mil mosquiteiros na vila Assis Brasil, no Macaxeiral, Areal, Santa Luzia, Pentecostes, BR-364, Santa Maria, Belo Monte, Aurora, Carobas, Boca do Moa, Ramal da Mariana e Santa Bárbara. Os critérios para escolha dos locais foram: alto índice de malária em geral, alto índice de Falsiparum, que é um tipo de malária mais violenta e grande número de mulheres grávidas. Segundo Simone nestas localidades os casos de malária diminuíram bastante. Ela conta que devido à constatação dos resultados positivos, o senador Tião Viana ficou animado em destinar emenda exclusivamente para a compra de mosquiteiros. Com emenda individual do senador no valor de R$ 1,5 milhão, foi possível adquirir 75 mil mosquiteiros, que estão sendo distribuídos em todo o Estado. Destes, cerca de 40 mil tocarão aos moradores do vale do Juruá.
Moradores da Vila Assis Brasil confirmaram a mudança que houve desde a distribuição, em 2007. A senhora Edileusa Torres Celestino, conta que em sua casa moram sete pessoas. Todas já pegaram malária, mas depois de dezembro de 2007 quando foi feita a primeira distribuição de mosquiteiros ninguém pegou mais.

A senhora Maria Costa de Souza também moradora da Vila Assis Brasil disse que na localidade tinha muita malária. Na sua casa todos tinham cortinados comuns, mesmo assim todos da casa pegaram malária. Depois da distribuição de cortinados a situação melhorou muito, não só na sua casa, mas em toda a vizinhança. "Tinha casa onde todos pegavam e daí complicava muito".

O sub-prefeito da Vila Assis Brasil, Ocenir Maciel, também confirma a diminuição: "Sem dúvida o índice caiu bastante. No período em que a malária atacou, a produção da Vila caiu muito. Agora com os mosquiteiros a malária está controlada".

Simone Daniel explica que os mosquiteiros e cortinados vêm somar no combate à malária, mas a Gerência de Endemias continua com seu trabalho normal como borrifação intra-domiciliar e borrifação espacial que vem sendo feito na região da Boca da Alemanha, Igarapé Preto e Aeroporto Velho - todos eles locais de alta incidência de malária. Além disso, os agentes prosseguem em ações de prevenção explicando às pessoas como entender os sintomas da malária, como usar os mosquiteiros, os hábitos do anofelino e os cuidados ao acampar próximo a rios, igarapés, lagos e igapós, etc. E ainda cuidam das emergências com coleta de lâminas, diagnóstico e tratamento. Ela alerta que a prevenção é preconizada pelo SUS, mas para o sucesso da mesma é preciso mobilização social e mudança de atitude da população. "Não é só a ação do Estado, a população precisa ser conscientizada para participar", ressaltou.

Taumaturgo Lima comenta demissão de funcionário de GT do Deas



A demissão de um funcionário que atua em um Grupo de Trabalho que presta serviço ao Deas em Cruzeiro do Sul foi em função de desentendimento que resultou em problemas de hierarquia segundo o deputado Taumaturgo Lima (PT). Em seu pronunciamento na sessão desta quinta-feira, 25, o parlamentar declarou que o servidor é um profissional competente e muito respeitado tanto pela empresa, para a qual trabalha há 20 anos, como pela população de Cruzeiro em razão da qualidade dos serviços prestados.

A demissão de um funcionário que atua em um Grupo de Trabalho que presta serviço ao Deas em Cruzeiro do Sul foi em função de desentendimento que resultou em problemas de hierarquia segundo o deputado Taumaturgo Lima (PT). Em seu pronunciamento na sessão desta quinta-feira, 25, o parlamentar declarou que o servidor é um profissional competente e muito respeitado tanto pela empresa, para a qual trabalha há 20 anos, como pela população de Cruzeiro em razão da qualidade dos serviços prestados.

A demissão do servidor Francisco Neri de Jesus e Silva, segundo Taumaturgo, ocorreu por conta de um desentendimento com um diretor do Deas. “Até mesmo uma diretora do Deas de Cruzeiro me adiantou que o servidor é muito respeitado e altamente responsável, apenas houve um desentendimento e as empresas têm uma hierarquia que deve ser respeitada”, afirmou.

Taumaturgo lembrou que tanto o ex-governador Jorge Viana como o atual governador Binho Marques têm prestigiado o funcionalismo público e procurado dar-lhe as melhores condições de trabalho. O parlamentar disse concordar com o fato de os grupos de trabalho não serem a forma ideal para a prestação de serviços à população, tanto que o governo está acatando determinação do Ministério Público para a realização de concursos.

aleac.net

Alto preço da energia e falta de transporte escolar fazem famílias deixar conjunto Miritizal II



Sair dos Bairros da Lagoa e do Miritizal para morar no Conjunto Miritizal II, poderia ter sido a mudança para o paraíso para centenas de moradores que tiveram que deixar o local onde está sendo construída a ponte do Rio Juruá. Mas, a falta de transporte público para levar as crianças para a escola e o preço alto da energia elétrica estão fazendo algumas famílias se mudar do novo conjunto.


Sair dos Bairros da Lagoa e do Miritizal para morar no Conjunto Miritizal II, poderia ter sido a mudança para o paraíso para centenas de moradores que tiveram que deixar o local onde está sendo construída a ponte do Rio Juruá. Mas, a falta de transporte público para levar as crianças para a escola e o preço alto da energia elétrica estão fazendo algumas famílias se mudar do novo conjunto.

Cerca de 80 famílias foram instaladas no Conjunto Habitacional Miritizal II que fica a quase 4 quilômetros cidade de Cruzeiro do Sul. O residencial foi construído pelo governo do estado para abrigar as famílias que moravam no eixo da ponte do Rio Juruá.

Há poucos mais de dois meses as casas foram entregues aos proprietários que viviam em condições de extrema carência de ações do poder público e passaram a habitar no local que dispõem de uma excelente infra-estrutura urbana.

“Graças a Deus que sai de onde não tinha água, alagava todos os anos e de uma casa caindo aos pedaços para morar aqui. Foi uma mudança maravilhosa na minha vida” – reconhece a dona de casa Francisca Barreto de Sá.

No entanto, a felicidade de morar em um local provido de ruas asfaltadas, iluminação pública, água tratada, rede de esgoto e em uma casa confortável, está sendo superada pela tristeza de não ter condições de pagar o transporte para os filhos irem à escola. As mães reclamam que a escola mais perto estar a mais de 1 quilometro e não tem vagas para atender os alunos. A grande maioria teve quer ser matriculada em unidades de ensino do centro da cidade.

Para mandar os filhos para aula é preciso desembolsar 4 reais todos os dias por cada criança. A dona de casa Maria Leide Ferreira da Silva afirmou que não tem condições de pagar 12 reais todos os dias pelo transporte de seus três filhos. “Vivo de bico, procurando todos os dias um serviço para dá comida pra eles e não tenho condições de pagar esse valor por dia. Por isso eles pouco estão indo à aula. Esse ano eles faltaram mais do que foram à escola” - afirmou a mãe.

Muitas famílias estão deixando o conjunto para morar mais perto de uma unidade de ensino. Inclusive, em algumas casas já existe placa de venda. “Não tenho vontade de sair daqui, mas estou sendo obrigada. Vou vender essa casa para comprar outra na Cohab porque preciso estudar e não tenho condições de pagar 4 reais todos os dias. Seria bom que a prefeitura colocasse um ônibus escolar para levar a gente” – disse a jovem Glória Marques que também ainda não foi à aula esse ano.

O alto preço da energia é outro problema enfrentado pelos moradores do conjunto Miritizal II. Algumas famílias, mesmo tendo poucos aparelhos elétricos em casa, estão recebendo faturas de mais de R$ 100,00. “No mês passado eu limpei um terreno pagar um talão de R$ 100,00, mas, esse mês, não tenho como pagar esse que veio de R$ 110,00” – disse a dona de casa Francisca Barreto de Sá.