sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Núcleo Móvel de Tecnologias da Embrapa capacita produtores na Expojuruá

Agricultores familiares, profissionais do ramo da panificação, donas de casa, representantes de associações rurais e pequenos empresários do setor de alimentação de diversos municípios do Vale do Juruá estão aprendendo como preparar produtos derivados da mandioca e do leite.
Agricultores familiares, profissionais do ramo da panificação, donas de casa, representantes de associações rurais e pequenos empresários do setor de alimentação de diversos municípios do Vale do Juruá estão aprendendo como preparar produtos derivados da mandioca e do leite. Eles participam do ciclo de oficinas sobre processamento de alimentos, realizado pela Embrapa Acre, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), durante a Expojuruá 2010, em Cruzeiro do Sul (AC).

As oficinas acontecem no Núcleo Móvel de Transferência de Tecnologias Agroindustriais (Nutec Móvel), carreta escola equipada com laboratórios, minifecularia, minipadaria e sala de treinamento com cozinha adaptada para atividades de capacitação. O veículo percorreu cerca de 700 quilômetros, de Rio Branco até Cruzeiro do Sul, onde cumprirá uma agenda de treinamentos, no período de 9 a 12 de setembro, com 12 oficinas sobre as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para o processamento de alimentos.

O Nutec Móvel é uma alternativa encontrada pela Embrapa Acre, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para atender as demandas tecnológicas das comunidades rurais do interior do Estado. Até domingo (12) diversos públicos vão aprender técnicas de elaboração de alimentos, subprodutos da mandioca e do leite. As oficinas também abordam as boas práticas no processamento de alimento, requisito essencial para garantir a qualidade alimentar e a saúde do consumidor. As atividades de capacitação acontecem das 8h às 21h, na sala de treinamento do Nutec Móvel, instalado junto ao estande da Embrapa, no espaço da Feira.

O pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas/BA) e o chef de cozinha Layr Marins, parceiro nas iniciativas com receitas de mandioca, vão ensinar os segredos da fabricação de pão à base de fécula de mandioca e castanha-do-brasil, famosos beijus coloridos, pizza de mandioca (pizzaioca), o peti gaioca (versão brasileira da sobremesa francesa peti gateou) e outros subprodutos da raiz mais consumida no Brasil.

Durante a Feira, a Embrapa Acre também apresenta as tecnologias desenvolvidas para as culturas da banana, café e pecuária leiteira, além das pesquisas que embasaram o processo de indicação geográfica da farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, produto conhecido nacionalmente pela sua qualidade e pelo modo tradicional de fabricação.
A Expojuruá é um evento anual que reúne expositores de diversos municípios do Vale do Juruá, da capital acriana e países vizinhos, apresentando as novidades dos setores agrícola, pecuário e florestal, culinária, artesanato e cultura. O evento, realizado pelo governo do estado e diversos parceiros, gera oportunidades de negócios e movimenta a economia local.

Pão com fécula

Um dos temas mais procurados pelo público das oficinas é a fabricação de pão com fécula de mandioca. A técnica é simples e envolve a substituição parcial do trigo por esse derivado da mandioca. Segundo o pesquisador Joselito Motta, esta alternativa pode mudar a realidade dos produtores que investem no cultivo desta cultura.

O Brasil está entre os maiores consumidores de trigo do mundo, mas importa cerca de 80% do produto, principalmente do Canadá, Estados Unidos e Argentina. “Tecnicamente é viável a substituição de 10% do trigo pela fécula para fabricação do pão francês, considerado o carro-chefe da indústria de panificação. Essa porcentagem pode aumentar para 20 a 30% para os produtos de massa doce como os pães de hambúrguer e cachorro quente, bolachas e biscoitos, e chegar a 40% para as massas de pizza”, explica Motta.

Ainda de acordo com o pesquisador, a adição da fécula de mandioca ao trigo melhora a qualidade do pão, tornando-o mais crocante, consistente, leve e saboroso. Além disso, aumenta o tempo de prateleira do produto. “A inovação representa uma alternativa para baratear os custos de produção de um alimento básico da dieta da população”, diz.

O pão com fécula de mandioca será apresentado ao público durante a Expojuruá. Ao lado de outras delícias da mandioca e do leite, o produto fará parte de uma mesa preparada para degustação, nesta sexta-feira (10), a partir das 20h30. Quem passar pelo estande da Embrapa Acre poderá experimentar, além do pão com fécula de mandioca e castanha-do-brasil, receitas como escondidinho de mandioca com carne seca, pizzaioca, doce de leite e queijo regional.

Texto: Diva Gonçalves (Mtb-0148/AC)
Embrapa Acre
Contato: (68) 3212-3200

Especialistas vão avaliar solos do Acre

O evento, que pela primeira vez terá como sede um estado amazônico, será pautado em discussões sobre a formação, características e classificação dos solos acrianos. O objetivo é definir parâmetros gerais para facilitar o manejo, a conservação dos recursos naturais e o aprimoramento do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.
Os solos do Acre serão foco da atenção de especialistas de diversos estados, durante a IX Reunião de Classificação e Correlação de Solos (RCC), que acontecerá nos dias 12 a 17 de setembro. As atividades começam em Cruzeiro do Sul, no domingo (12 de setembro), com a solenidade de abertura no teatro dos Náuas, às 18 horas. A programação segue nos municípios próximos à BR 364 e termina em Rio Branco na sexta-feira (17 de setembro).

O evento, que pela primeira vez terá como sede um estado amazônico, será pautado em discussões sobre a formação, características e classificação dos solos acrianos. O objetivo é definir parâmetros gerais para facilitar o manejo, a conservação dos recursos naturais e o aprimoramento do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

“A ideia das discussões será avançar no conhecimento técnico-científico sobre os solos sedimentares da Bacia do Acre, que sofreram mudanças em sua formação pelo surgimento da Cordilheira dos Andes. Esses estudos vão dar suporte para que tenhamos uma utilização mais sustentável do solo, e consequentemente, para a produção agropecuária”, afirma o coordenador do evento, o analista da Embrapa Acre, Luciélio Manoel da Silva.

Com o tema Solos Sedimentares em Sistemas Amazônicos: Potencialidades e Demandas de Pesquisa, o evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e realizado pela Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e outras universidades brasileiras.

Análise de solos

Durante o evento, os especialistas vão a campo analisar as características dos solos em diversos pontos, são os chamados perfis. Em Cruzeiro do Sul, o primeiro perfil será nas margens da BR 364 (próximo ao quilômetro sete), na segunda-feira, às 7h30, depois serão avaliados outros perfis na região de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima e no decorrer da semana em Tarauacá, Feijó, Manoel Urbano e Sena Madureira. Na sexta-feira (17 de setembro), às 7h30, haverá um último perfil na Embrapa Acre e o encerramento ocorre no Museu dos Autonomistas, às 15 horas.

Informações:
Luciélio Manoel da Silva
Embrapa Acre
Contato: lucielio@cpafac.embrapa.br

Binho inspeciona obras na BR-364

O governador Binho Marques inspecionou nesta quarta-feira, 8, as obras de asfaltamento da BR-364 no trecho entre Sena Madureira e Feijó. Acompanhado do diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem, Hidrovias e Infraestrutura Aeroportuária do Acre (Deracre), Marcos Alexandre e sua equipe técnica, além de secretários e assessores, Binho avaliou a complexidade da obra e o desafio de seu mandato em garantir que os serviços avancem o máximo possível.
O governador Binho Marques inspecionou nesta quarta-feira, 8, as obras de asfaltamento da BR-364 no trecho entre Sena Madureira e Feijó. Acompanhado do diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem, Hidrovias e Infraestrutura Aeroportuária do Acre (Deracre), Marcos Alexandre e sua equipe técnica, além de secretários e assessores, Binho avaliou a complexidade da obra e o desafio de seu mandato em garantir que os serviços avancem o máximo possível. O esforço de 2007 até este ano ofereceram todas as condições para que a estrada seja concluída em 2011. "A BR 364 é a estrada da liberdade", disse o governador durante vistorias aos serviços do lote 1, lembrando que muito do que foi feito em 2008 acabou se perdendo em 2009 por causa da chuva. De toda forma, o compromisso e o esforço do governo têm garantido o avanço do Estado em todas as áreas, mas principalmente na questão da infraestrutura: "O Acre está mudando, crescendo. Mas nada cai do céu. Tudo é fruto de muito trabalho", afirmou.

Apesar do ano de 2009 ter sido complicado para o serviço de terraplanagem, que pouco avançou por causa do rigoroso inverno (dos 12 meses, em apenas dois não choveu), as obras foram retomadas com força total em 2010, conforme observou Binho Marques, o que assegura que o próximo governador não terá tanto trabalho para concluir a rodovia. Faltarão entre 50 e 63 quilômetros para completar a ligação entre Sena Madureira e Feijó, o que pode significar apenas 30% do total. No lote 1, por exemplo, já existem 29 quilômetros de capa asfáltica pronta e a imprimação chega a 81%. São empregados 255 homens e mulheres, sendo que 240 são moradores da região. A Camter, empresa responsável pelo lote, mantém locados 21 imóveis em Sena Madureira, segundo o gestor do contrato, Ernesto Negretti. "O grande desafio é que o primeiro lote é a base dos demais canteiros, que passam por aqui", explicou Marcos Alexandre. Por causa do movimento intenso, é previsível que muitos pontos tenham de ser recuperados depois de asfaltados.

Modelo da complexidade de se asfaltar estrada no Acre pode ser visto no lote 2, de 34 quilômetros de extensão, onde a cada 1.000 metros de base de terraplanagem são lançados 3.000 sacos de cimento. O trabalho começa de madrugada. No total, a BR-364 possui 16 lotes, sendo que 224 quilômetros estão em recuperação e 90 km em serviço de restauração que é, na prática, a implantação do asfalto. Além disso, há 20 quilômetros de acesso às pontes e 2,6 mil metros de pontes.

O mais difícil do serviço conseguiu avançar, ainda que o clima não tenha colaborado. Em 2010, até a segunda semana de setembro, há bastante sol para que três mil homens e centenas de máquinas leves e pesadas avancem no asfaltamento tão sonhado. A BR-364 tem importância vital ligando, em uma direção, Rio Branco ao estado de Rondônia e ao restante do país - e a outra liga a capital do estado a Cruzeiro do Sul, passando pelos municípios de Bujari, Sena Madureira, Manoel Urbano, Feijó, Tarauacá e Rodrigues Alves. Apenas Manuel Urbano não fica na linha da rodovia, mas o acesso, de cinco quilômetros desde a estrada até a cidade, está pavimentado. Nesse acesso há duas pontes construídas no governo de Binho Marques.

No lote 2, mantido pela JM, o canteiro exemplifica o que acontece nos demais. A estrutura assemelha-se a uma pequena cidade. Nele, vivem cerca de 400 pessoas que podem contar com abastecimento de água, energia elétrica, padaria, açougue e telefone. Marinalda Martins é cozinheira e veio de Brasília em 2005, quando a JM trabalhava no trecho entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul, e gosta da vida no canteiro. "Já me acostumei", diz.



A BR 364 é uma obra prioritária na fase 1 do PAC criado pelo Presidente Lula no início de seu segundo mandato para ultrapassar os obstáculos ao desenvolvimento, gerar emprego e renda em todo o País. Além dos recursos específicos para a rodovia, o governador Binho Marques conseguiu, com apoio do senador Tião Viana e da bancada federal, incluir no PAC a construção das pontes sobre os rios Purus, Envira, Diabinho, Tarauacá e Juruá. Em quatro anos de governo Binho Marques, está sendo aplicado R$ 1 bilhão para a conclusão dos 224 quilômetros que faltam para ligar o Acre de Rio Branco a Cruzeiro do Sul.

As empresas contratadas trabalham em ritmo acelerado no esforço conjunto de tentar concluir as obras até dezembro de 2010. A ponte sobre o rio Purus já tem 70% de sua estrutura pronta. Nesta fase, 96 trabalhadores estão empenhados em concluir a obra até o final de novembro. Para Marcos Alexandre, ao governo Binho Marques também coube o desafio de construir as grandes pontes da BR-364.



De importância fundamental para o município de Feijó, a ponte sobre o rio Envira já tem 50% concluída e ocupa atualmente a mão-de-obra de mais de 100 trabalhadores, sem contar o pessoal que atua na implantação do acesso. Os insumos - entre os quais mais de 1.000 toneladas de aço e 8,5 mil m³ de cimento - já estão assegurados. Os reparos na ponte sobre o rio Caeté também já estão sendo feitos e serão entregues até o final deste ano.

Desafio de construir no solo amazônico

Para o Deracre, o desafio continua sendo o de fazer mais no curto espaço de tempo possível. Há sérias complicações quanto à permeabilidade do asfalto, uma vez que a região é recortada de lençóis freáticos, além do solo em que prevalece a tabatinga. Para superar a infiltração que deteriora a terraplanagem e o pavimento, as construtoras estão usando a colcha drenante, com 30 centímetros de brita. O material é "envelopado" a uma manta geotêxtil que garante o escoamento da água que flui debaixo do solo quando as máquinas realizam o corte da terra para alcançar a medida exigida pelas regras de pavimentação, de 6% do nível do solo.

De modo geral, os drenos possuem de 80 a 100 metros de comprimento por 12 m de largura. Pela boca desses drenos, na margem da rodovia, é possível constatar o alto grau de umidade do solo mesmo neste período de verão e sol intenso. A boca precisa ser limpa regularmente para não entupir. A tendência é que problemas relacionados à drenagem reduzam a medida em que o serviço se consolide. Para efeito de exemplo, o Deracre lembra que em 2009 ocorreram 8 deslizamentos no trecho entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul, mas neste ano apenas uma ocorrência foi registrada.

Asfaltamento avança

A reabertura da 364, realizada sem interrupção há 12 anos, muda tudo na vida da população dos Vale do Purus, Envira/Tarauacá e Juruá. A boa referência é o asfaltamento entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá, concluído no final do governo Jorge Viana, que integrou 25% da população do Acre e gerou incremento social e econômico que acabaram criando uma nova lógica no abastecimento de produtos e mercadorias, que era o grande problema da região durante o inverno. Em Cruzeiro do Sul, por exemplo, a dificuldade era quanto à carne bovina, produto de fartura no Vale do Envira/ Tarauacá. Com o asfalto, o mercado cruzeirense alcançou regularidade e estabilidade no abastecimento de carne de boi. Não há mais dúvida que o ex-governador Jorge Viana acertou em fazer a BR 364 a partir do Vale do Juruá e não a partir de Rio Branco. No trecho entre Sena e Feijó, existem oito lotes de obras que são mantidos por seis empreiteiras.

No lote 4, que está a cargo da construtora Fidens, o canteiro mantêm 300 trabalhadores diretos para avançar no asfaltamento de 35 quilômetros. A terraplanagem já alcança 95% da meta. Para 2010, conforme o engenheiro Ruy Nogueira, o objetivo é asfaltar 16 quilômetros e deixar grande parte pronta para a finalização no ano que vem. No lote 5, sob responsabilidade da Etam, a proposta é concluir 100% da terraplanagem e drenagem este ano, além de asfaltar 15 quilômetros.
Qualificação de trabalhadores

A Construmil, que detém o maior lote, diz que a qualificação dos trabalhadores tem sido elemento agregador em sua política de recursos humanos. Encontrar profissionais habilitados não é fácil devido ao grande volume de obras que se espalha pelo Acre. Na BR 364, as empresas decidiram investir na qualificação, e pelo menos 150 trabalhadores alcançaram novas profissões nestes últimos anos. Muitos eram auxiliares de serviços gerais e passaram a ser tratoristas ou operadores de máquinas pesadas, por exemplo.
Escrito por Edmilson Ferreira